Funkeiros celebram veto à lei que criminaliza o gênero

Comissão aprovou o relatório de Romário Faria contra a proposta

Os funkeiros Bin Laden, Don Juan, Mr. Catra e Valesca Popozuda estão em festa. O motivo? A proposta do empresário Marcelo Alonso, que pretendia criminalizar o funk, foi vetada em comissão do Senado na última semana.

A CDH (Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa) aprovou o relatório do senador e ex-jogador de futebol Romário Faria (Podemos-RJ) pela rejeição da Sugestão Legislativa 17/2017, que tinha como objetivo tornar o gênero um crime à saúde pública de crianças, adolescentes e à família. Com a negação, o texto deixa de tramitar no órgão federal.

m entrevista ao Portal R7, o autor do hit Tá Tranquilo, Tá Favorável, Bin Laden defende a tese de que o funk é uma forma de entretenimento ao público.

— Para nós, se acontecesse o contrário, seria uma ofensa. Somos cidadãos, trabalhamos honestamente cantando e levando alegria aos fãs. Já passou da hora de recebermos o apoio de todos. É um ritmo que todo mundo curte, dança. É o gênero que mais cresce e tem um sucesso atrás do outro.

Don Juan, famoso pela canção A Gente Brigou, ressalta que há estilos musicais mais ofensivos do que o funk.

— Estava meio apreensivo sobre o assunto, mas tinha quase certeza de que isso não iria adiante. O funk é um ritmo musical como qualquer outro. Se pararmos para analisar, existem músicas bem mais agressivas, mas com outras palavras. O certo é que o funk muda vidas e transformou a minha.

Já Valesca Popozuda, um dos nomes mais conhecidos do segmento no País, afirma que “o Brasil está muito bagunçado para estarem preocupados com a criminalização do funk”.

Romário comemora aprovação de relatório

À reportagem da Record TV, o ex-jogador declara que a medida proposta por Marcelo Alonso impedia a livre manifestação do pensamento.

— A criminalização de um estilo musical incrimina parte da nossa sociedade. Lá atrás, já presenciamos acusações parecidas com o samba e o jazz. Existem leis específicas na nossa Constituição para os crimes que esse grupo entende que existe [incitação a estupros e assaltos] em determinados movimentos do funk.

Romário admite que sua origem humilde fez com que ele brigasse na Justiça para barrar a ideia.

— Eu não poderia fazer diferente como uma pessoa que nasceu em comunidade — eu prefiro chamar de favela. Eu sei da importância do funk, o que ele representa na vida das crianças e jovens, principalmente, no que se refere à trabalho. Com a música, as pessoas podem ter uma vida digna, sair do tráfico e de outras coisas erradas. Então, a minha relatoria foi 100% contrária a essa criminalização.

O funkeiro Mr. Catra tem o mesmo pensamento que Romário e afirma que o projeto era “uma atitude racista e que eles [artistas] vão mostrar muita coisa ao público ainda”.

Sucesso do funk na internet

O gênero musical não para de crescer nas plataformas digitais em todo o País. Em agosto, a música Fazer Falta, de MC Livinho, foi a segunda mais ouvida no aplicativo de streaming Deezer. No ranking dos artistas mais reproduzidos, o cantor aparece na nona colocação.

No Spotify, dos 15 artistas mais ouvidos, três cantam funk. Já, no YouTube, MC Kevinho é o segundo artista mais tocado, e sua música Encaixa, com participação de Léo Santana, é o quarto videoclipe mais reproduzido.

Ainda no site, os canais que produzem videoclipe do estilo musical são fênomenos. KondZilla, por exemplo, soma mais de 18 milhões de assinantes. Já a produtora GR6 acumula 7 milhões de inscritos.

fonte: R7