Aos 39 anos, Valesca Popozuda diz se sentir melhor a cada dia

Cantora exalta a sonoridade, porque entende que a ideia de ‘irmandade’ fortalece e transforma

Rio – Ela é feminista porque defende o direito das mulheres, a igualdade entre os sexos e o respeito. Ela exalta a sonoridade, porque entende que a ideia de ‘irmandade’ fortalece e transforma. Ela é dona da sua vontade e do seu desejo. Ela é o poder!

Valesca Popozuda, nossa convidada do ensaio especial da semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, fala para elas: “A mulher se empodera quando ela é decidida, quando sabe o que quer. Precisamos continuar conquistando nosso espaço.”

“Não se deixem abusar, desrespeitar, não se calem. Unam-se, sejam amigas. O mundo vai ficar muito melhor pra nós”, aconselha.

Em um ensaio de camisetas com a proposta de ‘dar o recado’, sem papas na língua, como ela, Valesca brilhou.

“Amei todas as frases escolhidas. Acho que todo dia é dia da mulher, de lembrar as lutas. Mas é importante ter uma data pra marcar”, comenta. “Importante ter sido convidada e poder representar, honrar todas as mulheres maravilhosas que existem no nosso país”.

A funkeira revela sua frase preferida. “Adorei vestir a ‘Não é não’. Representa o direito de não estar a fim, que deve ser respeitado”, defende. “E curti muito vocês terem feito uma camiseta da música nova, ‘Desce Um Gim'”, acrescenta ela, sobre o clipe lançado na última quinta-feira, que já conta com quase 300 mil visualizações.

ÚTERO FEMINISTA

A carioca costuma falar por aí que o feminismo passou de sua mãe, Regina Célia, para ela. “Minha mãe é uma batalhadora e foi um exemplo pra mim, com tudo o que passou, muito sufoco. Foi criada em colégio interno, não conheceu a família dela. Ficou grávida de mim aos 18, foi mãe sozinha”, conta.

Mãe de Pablo, o MC Pablinho, 18 anos, Valesca lembra que quando engravidou também passou por dificuldades. “Tinha 21 anos. Pensava que ia passar o que minha mãe passou”, recorda. “Tinha um mundo pela frente, sonhava ser atriz. Mas sou uma mulher que batalha. Deus começou a me mostrar que eu estava passando aquele sufoco, mas seria recompensada lá na frente. Fui lutar para não depender de ninguém nunca. Independência traz felicidade”.

CARREIRA POR ACASO

Ela entrega que cantar não estava nos planos. “Gostava de dançar. Aí me convidaram pra cantar, mas eu ficava insegura. Ia pro estúdio e chorava”, confidencia. “Não conseguia trazer a música pra dentro. E o público sente quando é verdadeiro. Tanto que no meu primeiro show levei várias latadas no Clube Paratodos, na Pavuna. Me jogaram na boca do leão e fui. Saí dali bem triste e disse que nunca mais colocaria os pés no palco”.

Mas ela insistiu. “No início, cantava com playback, aí fui me acostumando. Sentia que ali tinha um caminho”.

PARA ELAS

E tinha. A identificação com um papo reto e um discurso que exalta o feminino fez Valesca encontrar o tal caminho. “Comecei a bombar quando resolvi cantar para as mulheres. Meu público na Gaiola das Popozudas era 100% masculino. Pensei que precisava dividir minhas experiências, cantar para elas. Cheguei junto delas”, conta. “Quando vi, meu público feminino era maioria. Elas sempre vêm falar comigo, a relação é próxima. Principalmente quando cantei ‘My Pussy é o Poder’, que foi um divisor de águas. Falava do nosso poder feminino! Depois, teve ‘Late Que Eu Tô Passando’ e ‘Agora Eu Tô Solteira E Ninguém Vai Me Segurar’, em que defendo o direito de a mulher fazer o que quiser com a vida dela”.

E faz questão de esclarecer: “Vivo o feminismo todos os dias”.

QUASE 40

Ela completa 40 anos em 6 de outubro. E se sente cada dia melhor. E dona da própria vida. “Me empresario há um ano. Faço tudo com mais vontade. Tenho uma equipe maravilhosa me dando suporte, mas o melhor de tudo é saber que tenho o poder de decisão, do não. Não faço nada mais pra agradar ninguém”, garante.

E o coração também vai bem, obrigada. Sobre o relacionamento com o empresário Patrick Silva, 24 anos, ela é bem direta. “Estou feliz. Tanto no trabalho quanto na vida pessoal. E o Patrick, vocês vão ver muito ainda do meu lado, porque virou meu sócio empresariando o Rael, um MC que já fez muito sucesso. Posso dizer que está rolando. Estamos nos conhecendo. Não tem título”. Mas esclarece: “Não estamos morando juntos”.

E a loura conclui com um sorriso: “Vem muita coisa este ano. Vou lançar um clipe atrás do outro. Tem DVD. Nunca sonhei com a carreira de cantora, mas amo o que faço e tudo que conquistei. E vivo”.


fonte: O DIA